Giovanni Zarutti avalia que juros altos pressionam empresas e consumidores e reforçam a importância do planejamento antes da compra

O pedido de recuperação judicial apresentado pelo Grupo Casas Bahia no dia 16 de agosto colocou novamente no centro do debate o impacto do crédito caro sobre o varejo brasileiro. A companhia busca renegociar aproximadamente R$ 17,3 bilhões em dívidas e anunciou uma reestruturação que prevê o fechamento de 298 lojas e o desligamento de 1,9 mil a 3 mil funcionários.

No segundo trimestre de 2026, o grupo registrou prejuízo líquido contábil de R$ 10,1 bilhões. Parte expressiva desse resultado, porém, está relacionada a efeitos não recorrentes. Excluídos esses impactos, o prejuízo ajustado foi de R$ 978 milhões.

Para Giovanni Zarutti, fundador e CEO da Zarutti Investimentos, o episódio não deve ser explicado apenas como consequência da crise econômica. O caso expõe a fragilidade de modelos que dependem da circulação contínua de crédito barato.

“Durante décadas, o varejo brasileiro cresceu ensinando o consumidor a comprar agora e pagar depois. Esse modelo ampliou o acesso a muitos produtos, mas se torna vulnerável quando os juros sobem, o crédito diminui e a renda das famílias fica comprometida. A empresa sente dos dois lados: vende menos e também paga mais para financiar a própria operação”, analisa Giovanni.

No início de agosto, o Banco Central reduziu a taxa Selic para 14% ao ano. Mesmo com o corte, o patamar continua elevado e influencia o custo dos financiamentos, o capital de giro das empresas e as decisões de consumo.

Giovanni Zarutti
(Giovanni Zarutti)

Na avaliação do especialista, esse cenário ajuda a explicar por que compras de maior valor, como imóveis e veículos, passaram a exigir mais planejamento. Quando o consumidor depende exclusivamente do financiamento disponível no momento da compra, fica exposto às condições daquele período, mesmo que sejam desfavoráveis.

“Antes de perguntar apenas quanto custa a parcela, é preciso entender o custo total, o prazo e o quanto aquela obrigação compromete a renda. A crise das Casas Bahia mostra que crédito abundante não significa necessariamente crédito saudável”, afirma.

Enquanto o financiamento enfrenta juros elevados, o sistema de consórcios vem registrando crescimento. Segundo a Associação Brasileira de Administradoras de Consórcios, as vendas de cotas chegaram a 2,82 milhões no primeiro semestre de 2026, alta de 14,6% em relação ao mesmo período de 2025. No segmento imobiliário, o avanço foi de 41,9%, com 838 mil cotas comercializadas.

Giovanni interpreta o movimento como uma mudança na maneira como parte dos brasileiros se prepara para adquirir patrimônio. Ele ressalta, entretanto, que o consórcio não deve ser apresentado como investimento de retorno garantido nem como atalho para quem precisa do bem imediatamente.

“O consórcio é uma ferramenta de planejamento. Não há os juros tradicionais de um financiamento, mas existem taxa de administração e outras condições previstas em contrato. A contemplação acontece por sorteio ou lance e não pode ser prometida para uma data específica. Transparência precisa vir antes da venda”, explica.

Quando contemplada, a carta de crédito permite que o consumidor negocie a aquisição do bem com poder de compra semelhante ao pagamento à vista. Ainda assim, a escolha precisa considerar a capacidade financeira, o tempo disponível e o objetivo de cada pessoa.

Para o CEO da Zarutti Investimentos, a principal lição deixada pelo atual momento não é que uma economia em dificuldade represente automaticamente uma oportunidade. A vantagem está em chegar aos períodos de mudança com organização e alternativas.

“Não se trata de comemorar a crise ou usar a dificuldade econômica para vender sonhos. Trata-se de compreender os ciclos. Quem procura crédito apenas quando precisa fica refém das condições do mercado. Quem se planeja antes chega à negociação com mais escolhas”, conclui Giovanni Zarutti.

À frente da Zarutti Investimentos, Giovanni atua com educação financeira e atendimento consultivo para pessoas, empresários e brasileiros residentes no exterior. A empresa trabalha com consórcios, cartas de crédito, créditos contemplados, financiamentos e home equity, considerando o perfil, o prazo e os objetivos de cada cliente.

(Crédito: Divulgação/Zarutti Investimentos)